CRÍTICA

Referências críticas

“Esse rapaz tem um traço muito bom.”
Di Cavalcanti, O Estado de São Paulo, “Gustavo Rosa pinta o mistério. Você tem?”, 1969.

“Gustavo Rosa tem uma paixão pela figura humana, o tema permanente de seus desenhos e pinturas. Procura fixar visualmente a impressão do instante na sua essência, não se permitindo retoques ou alterações posteriores. Para isso, desenvolveu uma linguagem linear simples e ágil, adequada à execução rápida e espontânea. Revelou uma sensibilidade muito pessoal para o ritmo da linha do corpo humano recortando o espaço monocromático. Ele vem depurando cada vez mais as suas telas, suprimindo todos os detalhes não estritamente indispensáveis. Reduziu o emprego da cor, limitando-se a utilizar manchas isoladas (...). As suas figuras femininas e os seus nus possuem uma verdade que se impõe e fascina na sua apreensão da expressividade humana pelo grafismo e a espacialidade.”
Mario Schenberg, sobre a exposição de Gustavo Rosa na Galeria Bonfiglioli, 1970.

“Seus retratos, que ele pinta de uma maneira muito suave e simples, ao mesmo tempo rápida e segura, estão na Galeria Espade. Na maioria deles, a criança olha e é vista de seu mundo de descobrimento; nos outros, os adultos – porque Gustavo Rosa também retrata adultos – indagam também, mas o que sai de seu olhar inerte é mais perplexidade que pergunta.”
Folha de S. Paulo, “A verdade sobre Gustavo Rosa”, 1973.

“Gustavo Rosa estava correndo o perigo de ser apenas mais um retratista de pessoas de uma determinada classe da sociedade brasileira, mesmo tendo um traço muito pessoal, despojado, suave e lírico em seus retratos. Artista inquieto e lúcido, fez um balanço de seu passado. Uma autocrítica em profundidade. E mudou. A mudança é radical e deixa bem claro que ele quer usar a cor, desvendar seus mistérios; saber pintar. Poderia escolher cores fortes e agressivas para chamar a atenção, mas recorre às muito suaves; quase tão suaves quanto uma delicada aquarela. E depois propõe e começa um inteligente jogo entre o espectador de sua obra e a técnica que ele utiliza. A pergunta vem logo: Onde está a colagem? Onde está a pintura? Neste jogo, ele procura apenas uma verdade já sabida: a técnica utilizada pelo artista pouco importa se ele tem algo (importante) a dizer. E Gustavo tem. Esta nova mostra individual que ele realiza agora revela um Gustavo Rosa que redescobre a figura (sempre possível de ser interpretada) do palhaço (...). Gustavo Rosa não se preocupa felizmente com o palhaço do jeito-que-ele-é. Desintegra a figura, faz cortes oblíquos (...) deixa as pinceladas mais evidentes. Desmitifica o palhaço, a pintura, a colagem, a arte. E se serve de influências saudáveis do Cubismo e de Paul Klee. E adentra o universo misterioso do humor (...). Estamos diante de um artista que deixou de se preocupar com a beleza arrumadinha e exterior de homens e mulheres para se dedicar ao que o rosto nem sempre revela porque o essencial está sempre muito escondido no nosso interior. Para isso ficar bem definido, Gustavo Rosa escolheu a figura trágica do palhaço. O resultado é belo e incomoda. Ainda bem.”
Olney Krüse, sobre a exposição “Gustavo Rosa – Palhaços”, Galeria Ipanema/SP, 1975.

“A colagem, a tinta tratada com opacidade, as linhas de curvas suaves e os traços duros rigorosamente geométricos: assim são feitos os palhaços de Gustavo Rosa em 28 telas que expõe na Galeria Ipanema – uma transposição inesperada da realidade para situações incomuns, irônicas, divertidas. Um palhaço lê o jornal, o jornal é uma colagem, um olho do palhaço também é uma colagem, e ele está sentado, o rosto caricato escondido pelo jornal aberto, onde se lê ‘O Palhaço’. Esta intenção ‘realista’, entretanto, é efêmera. Não está dominando tudo o que Gustavo Rosa criou nas 28 telas. Seus palhaços estão longe daquela postura crítica que convencionalmente se chamou de ‘protesto’. Dessa forma, o artista criou algo original, tecnicamente nervoso e muito bem diagramado no espaço da tela. Nesses palhaços que pintou, ele se permitiu brincar à vontade, a tal ponto que o espectador (e até o pintor) se pergunta, onde está a colagem? Onde está a pintura? (...) A prova de sua seriedade, se alguém precisar, está mesmo nos seus palhaços. Não é preciso ir mais longe. Logo se percebe que Gustavo Rosa é, também, um colorista maduro, de pincel agitado que muda os pequenos golpes de tinta conforme a temperatura de certas áreas delimitadas ao seu gosto, em cortes transversais. Nessas pequenas áreas (cuidado, pode ser uma colagem) destacam-se os fragmentos de sua geometria instalados com harmonia por todo o núcleo da pintura. Linhas irrequietas que se distribuem indecisas, perseguindo a sua forma final, completam e se integram à concepção geométrica do conjunto. Uma busca de magia.”
Nelson Merlin, Folha de S. Paulo, sobre a exposição “Gustavo Rosa – Palhaços”, Galeria Ipanema/SP, 1975.

“Pintor no momento, eu me lembro de um muito bom que continua injustiçado: Gustavo Rosa. Ainda há pouco tempo ele retomou o tema desgastado do palhaço e revitalizou tudo de maneira bastante pessoal.”
Walter Levy, “A arte no Brasil segundo Levy”, O Estado de São Paulo, 1975.

“Gustavo Rosa faz uma pintura cheia de alegria. Entenda-se: alegria de pintar, de brincar com as cores, as formas. Uma pintura com humor, lúdica, criativa: memória de uma pintura que o pessoal está, cada dia mais, sem coragem de fazer.”
Ziraldo, O Pasquim, 1976.

“Dentre as mais abstratas ou insólitas propostas contemporâneas, inegavelmente, a figura humana ainda ocupa um lugar proeminente – quando tratada como o faz o jovem artista paulista Gustavo Rosa. Observador, inteligente e sensível capta nas criaturas, as mais simples – que cotidianamente gravitam em torno de nós sem que delas nos apercebamos – suas mais espontâneas atitudes. Através de seus quadros descobrimos surpresos que passamos pela vida sem nela atentarmos, olhos voltados para dentro de nós mesmos ou perdidos em visões intelectualizadas, não raro estéreis. Foi nas obras de Gustavo Rosa que atentamos para a graça tímida do ‘marinheiro de primeira viagem’, farda nova em folha. Olhinhos assustados, descendo – talvez – pela primeira vez num porto estranho; na mulher gorda de vestido estampado que a faz mais gorda, deliciando-se com o sorvete proibido; na outra, não menos gorda, flutuando em verdes águas, com o auxílio de enorme boia, obviamente desnecessária; no sorveteiro e seu indefectível carrinho; no menino e a sonhada bicicleta e, assim, sucessivamente, em tantos espécimes humanos que poderíamos observar mesmo de nossas janelas. Bastaria apenas aguardá-los. Eles passariam. E todos esses temas, que pareceriam banais ou satíricos numa pintura qualquer, quando mostrados por este artista sensível do próprio mundo em que vivem, adquirem valores inegavelmente artísticos. Ele não precisa sonhar ou inventar. Basta-lhe, apenas olhar, sentir, para pintar. Sabe recortar as figuras, retalhá-las para que o espectador as reconstrua guestaltianamente, integrá-las no retângulo da tela para, finalmente, colori-las. Despreza problemas científicos da forma ou de cor, porém, resolve-os todos, instintivamente, com aquele poder mágico só conferido, pela natureza, aos autênticos artistas. E, assim, seus quadros líricos, puros, transformam-se naquilo que certamente ele mais desejaria que fossem, e são: autênticas obras de arte.”
Ernestina Karman, texto de apresentação à exposição “Bicicletas” na Galeria Ipanema/RJ, 1976.

“Gustavo Rosa sugere a expressão facial de seus personagens com o recurso de substituir os olhos por pequeninos pontos redondos. Parece-nos que o resultado alcançado com esse tratamento imaginoso, é um dos pontos mais interessantes da obra de Gustavo Rosa. Com apenas a mudança de colocação dos referidos pontinhos, as figuras tornam-se alegres, tristes, tímidas, maliciosas, etc. A geometria livre de composição geral, entrosa bem a temática ao fundo. O colorido bem dosado, escolhido com sensibilidade, complementa os trabalhos deste artista”.
Ernestina Karman, Folha da Tarde, 1976.

“Ilustrado hábil e adequadamente por Gustavo Rosa, ‘Contravérbios’ é um volume que convida à reflexão e ao riso.”
Renato Bittencourt, sobre as ilustrações de Gustavo Rosa para o livro Contravérbios, em “Beleza não se põe na mesa. Põe-se na cama”, Revista Visão, 1977.

“Gustavo Rosa – pintor figurativo incursionador em diversas temáticas, agora explora o quadrado. Ou seja, suas figuras satíricas, com leveza de cores estabelecem os limites de sua diversificação criativa utilizando quatro linhas retas interligadas para expressar com sutileza o que imaginou.”
Ivo Zanini, “A principal novidade é a inauguração da mostra de Gustavo Rosa”, Folha de S. Paulo, 1977.

“Por não pretender um resultado final que o satisfaça totalmente, o artista Gustavo Rosa muda de estilo em cada nova exposição. Desta vez, trabalhou o tema ‘O Quadrado’, em 25 obras (vinil encerado sobre tela) que expõe hoje na Galeria de Arte Ipanema de São Paulo (...) Ele próprio se julga um pintor inquieto. Justifica assim o fato de estar sempre atrás de formas inéditas. Gustavo Rosa interpreta uma exposição como um desafio que provoca nele o desejo de não cair numa repetição e fazer com que a viagem no seu mundo pictórico se torne cada vez mais excitante e rica.”
O Estado de São Paulo, “A nova fase de Gustavo Rosa”, 1977.

“Rosa explora a temática figurativa do cotidiano, satirizando seus personagens”.
Folha de S. Paulo, “O cotidiano e o informal estão de volta”, 1978.

“Gustavo Rosa não é de parti pris. Segue tranquilamente – o que lhe dita a sensibilidade e acerta sempre. Nada de engajamentos, de radicalismos (...) E liberdade ele tem de sobra. A figura humana é a sua constante e aparece no cotidiano em mil conjeturas. Com pitadas de um sadio humor, Gustavo fixa em seus quadros a ironia de certas aspirações humanas. E o seu ironismo faz pensar, o que é muito bom. Em sua fase atual o artista está praticamente despojado, com economia de traços e de cores, obtendo um rendimento invulgar. Inspirado nos desenhos infantis traça a figura humana em poses picarescas, plenas de humorismo. É um artista criativo na acepção do vocábulo. Sempre em ebulição. Voa alto.”
Paulo Bueno Wolf, sobre a exposição de Gustavo Rosa na Galeria de Arte do Centro Cultural Brasil-Estados Unidos, 1979.

“A mordacidade elegante das cores, traços e temas que ele devasta com humor, mas sem perdão, tem um lugar muito bem planejado dentro dos seus quadros. Mas caberia com acerto também ideal na capa da revista The New Yorker. Gustavo Rosa é uma exceção dentro da falsa seriedade que é obrigação envergonhada dos artistas locais.”
Telmo Martino, “Pré-estreia da semana”, Jornal da Tarde/O Estado de São Paulo, 1979.

“As obras apresentadas trazem como novidade geral a técnica: têmpera sobre tela, que o artista vem pesquisando há cerca de um ano, partindo de orientações dadas pelo mestre Alfredo Volpi. Seguindo a mesma linha de humor crítico trilhada há cerca de dez anos, Gustavo Rosa se ocupa da figura do executivo e se permite até fazer uma brincadeira com as bandeirinhas de Volpi, onde, num quadro sem título, um sisudo homem olha para uma obra do mestre do Cambuci. Uma homenagem (...). No restante, Gustavo Rosa aponta em seu trabalho atual, um desenho mais livre, e em alguns momentos até infantil, além do colorido mais rico, que a própria têmpera permite. Em algumas obras, o artista lança mão da colagem, recurso que utiliza desde o início de sua carreira (...)”
Ivo Zanini, “O humor crítico de Gustavo Rosa”, Folha da Tarde/Folha de São Paulo, 1979.

“Depois do sucesso alcançado em Nova York em 1978, Gustavo Rosa teve igual sucesso aqui em São Paulo, na Galeria Documenta. Sucesso de crítica, de público e venda total de seus últimos trabalhos. A Rua Padre João Manuel esteve interditada, tal era o volume de pessoas que se espremiam para arrematar os seus quadros. Os que chegaram depois só ficaram com as lágrimas de um desejo insatisfeito (...). Gustavo Rosa sempre teve uma linguagem simples, objetiva e clara para definir seus trabalhos. É um artista lúcido que não se aproveitou de modismos para se engajar. Evoluiu e descobriu por si mesmo buscando novas formas, novas técnicas, novos motivos.”
Revista Gallery Around – “Gustavo Rosa, pintor, desenhista, gravador”, 1979.

“Gustavo Rosa acrescenta os elementos de humor depois. Eles decorrem naturalmente do próprio desenvolvimento de cada trabalho (...) e que nunca está com tudo pronto dentro de sua cabeça. (...) Gustavo Rosa faz um trabalho bonito, poético, divertido, com detalhes inesperados que permitem muitas leituras (...) que guardam muito do menino que fala ao universo infantil e lúdico”.
Fanny Abramovich, “Brincando com Gustavo Rosa”, Jornal da Tarde, 1979.

“Num momento em que a maioria dos jovens artistas se lança totalmente à pintura, em busca de melhores preços confundindo ainda mais o já complicado e caótico mercado de arte, é salutar uma mostra como a do pintor Glauco Pinto de Moraes que expõe só desenhos. E se aproxima de outra, em Porto Alegre, do não menos gráfico Gustavo Rosa, mostrando pinturas e desenhos com colagens. Ambos se aproximam pelo diálogo de seus traços com a cor, mesmo quando ela apenas divide áreas e espaços. Gustavo Rosa apropria-se de desenhos infantis para compor personagens e situações líricas e seu traço é ilógico, descontrolado, como quer exatamente a visão infantil antes de adulterar-se. (...) Gustavo Rosa, por sua vez, apresenta desenhos com colagens que são mais colagens do que desenho, numa tentativa de captar a poesia infantil em pleno voo. Aproxima-se, assim, da arte bruta, sem refinamentos ou sofisticações, num traço nu e cru, como são os sonhos primários das crianças. (...) Rosa é dos raros artistas brasileiros a utilizar-se do cartoon e do bom humor nacional para compor uma obra que sendo erudita não deixa de ser também popular.”
Alberto Beuttenmüller, “Ideia e humor. Dois pintores que desenham”, Revista Visão, 1980.

“Recém-chegado dos Estados Unidos, onde expôs com muito sucesso na Kourus Gallery, sofisticada galeria, o pintor Gustavo Rosa inaugura hoje mostra individual (...) considerado pela crítica paulista um dos pintores mais importantes da nova geração de artistas, a pintura de Gustavo Rosa destaca-se por algumas características pessoais, como o colorido vibrante, as pinceladas bem evidentes, a tendência a geometrizar a figura, a essencialização da paisagem, tudo temperado com boa dose de humor.”
A Tribuna, “O humor e a arte de Gustavo Rosa estão no Guarujá”, 1983.

“Mais um artista que sai da arte publicitária: Gustavo Rosa (...) Com um currículo já avantajado, Rosa expôs pela primeira vez em 1964, participou de várias coletivas importantes no Brasil e no exterior e recebeu vários prêmios. Estas citações são importantes para os que não o conhecem, pois em sua pintura há aparentemente algo de infantil, de caricatural (...) mas que se observe bem o requinte de seus tons ou o impacto de seus vermelhos, que se olhe bem as curiosas deformações a que ele submete a figura humana. Que se preste atenção à sutileza de seus verdes e azuis. E sem preconceitos, muito concluirão que Gustavo Rosa é pintor lírico, simples e sabiamente requintado.”
Flávio de Aquino, “Da publicidade com amor (e cor)”, revista Manchete, 1983.

“Finalmente um pintor despretensioso, Gustavo Rosa inaugura esta semana uma exposição de pintura na Galeria Paulo Prado. Nessa exposição Gustavo Rosa comemora o verão com flagrantes percebidos por seu humor na Picasso Beach (...) Não se sabe também porque Gustavo Rosa não apresenta seus quadros aos editores da revista The New Yorker, ainda a mais bonita do mundo. Ele seria, certamente, uma bem-recebida capa.”
Telmo Martino, “Simplesmente pintura”, Jornal da Tarde/ O Estado de São Paulo, 1983.

“Gustavo Rosa é uma das figuras mais destacadas no campo das artes visuais brasileiras, um destaque que ele conquistou com sua pintura lúdica, irônica, agressiva e mentalmente lúcida. Com um design singelo e pragmático ele cria as suas figuras lapidares, agressivamente recortadas, impertinentemente simplificadas, irônicas e brincalhonas, produtos de um humor gozador de todas as figuras humanas. Há muita crítica aguda em suas gozações, há muita lucidez discernidora em suas composições, ou melhor, dizer apresentações. Porém esta crítica não é maldosa, não é destruidora, não é negativa, embora se trata de uma autêntica crítica (...) O seu desenho é exato, frio, matemático, singelo, agressivo e irônico. A emotividade está no belo e puro colorido, embora contido e controlado, Gustavo não é romântico, tampouco um revoltado e acusador. Ele brinca com nossas debilidades e insuficiências. Ele goza de tudo com a participação de todos. Ele nos oferece o sorriso da ironia, às vezes a gargalhada sufocada (...) entre os pintores figurativos paulistas da atualidade, ele se destaca pela sua originalidade, seu firme idioma plástico que não lembra ninguém na escolha de seus assuntos íntimos. Às vezes mais sofisticado, outras vezes mais ingênuo (uma ingenuidade proposital), ele se aventura de um quadro para outro com a mesma boa disposição de uma criança muito sadia, muito lúcida e crítica, porém amorosa e bondosa em seu ludismo. Uma bela e valiosíssima figura do panorama pictórico atual. Um grande talento, com o carisma de um agudo e muito puro claro espírito.”
Theon Spanudis, “O ludismo de Gustavo Rosa”, texto presente no catálogo da exposição em comemoração aos 20 anos de carreira de Gustavo Rosa, na Galeria Bonfiglioli, 1985.

“As imagens profusas que habitam o universo atual de Gustavo Rosa tem várias procedências. Lembram o cartoon, a filmografia do desenho animado, a caricatura, as histórias em quadrinhos, os desenhos infantis. Mas é a qualidade de humor, da blage, o emergente tom picaresco dessas imagens que inspiram a construção do expressivo vocabulário plástico deste artista (...) Gustavo Rosa toma a si a grafia afetiva e conhecida das imagens que residem na memória do espectador (...) Os personagens são portanto o veículo subliminal da pintura (...) O traço descritivo sensível de Gustavo Rosa, etapa de trabalho insistente que desaprendeu o vício da habilidade do desenho, redesenha a forma das imagens. Esse traço é agudo e de certa maneira guarda em si o frescor do desenho ingênuo das crianças que procuram registrar a ideia da forma. A estrutura da composição dos quadros é criada por linhas lineares ondulantes e pelas linhas verticais do listrado da indumentária das figuras. O sistema de oposição dessas linhas constrói a tensão gráfica da composição, dotando-a de poderoso equilíbrio. A superfície dos quadros é tratada com uma pasta que lhe dá textura, tornando-a como matéria sensível para abrigar o desenho agudo das figuras. Esta fatura artística cria também um outro jogo de oposições que proporciona uma tensão plástica importante no trabalho. O traço fino e agudo do desenho contrasta com a plasticidade da matéria da base da superfície do quadro. O desenho está incorporado à cor e faz parte da pintura leve e de tons baixos. Ela partilha da composição sem suplantar o traço descritivo que marotamente distrai o espectador.”
Radha Abramo, “Gustavo Rosa – 20 anos de pintura”, texto presente no catálogo da exposição em comemoração aos 20 anos de carreira de Gustavo Rosa, na Galeria Bonfiglioli, 1985.

“Seus temas são os mais diversos, não faltando os gordos, os quadrados de alma e corpo, os turistas americanos. Mas todos têm o ar de buona gente. Sorriem delicadamente, andam assobiando de bicicleta, reclinam-se em cadeiras geometrizadas. Aliás, Gustavo Rosa geometriza todo o seu mundo e, nas superfícies que assim cria, joga com pequenas nuanças e tons harmoniosos. Mas se os temas de Gustavo Rosa são variados, há um elemento – ou melhor, um animal – sempre constante: o gato. O gato surge acariciado por sua dona ou ela o carrega numa coleira de cão. Transforma-se num bicho colorido, no acompanhante das damas ou mesmo em personagem principal de muitas obras. É um gato manso, acariciante, interrogador, criador do símbolo, logotipo do pintor (...) As linhas de predominância reta correspondem cores de predominância neutra. A arte de Gustavo Rosa é lúdica, irônica, às vezes doce e às vezes agressiva com suas figuras imponentes, desenhadas como se estivessem recortadas sobre o papel. Há nelas uma crítica aguda, embora seja uma crítica mais de expressão individual do que de conteúdo marcadamente social. Conserva-se no terreno da representação grotesca e ao mesmo tempo poética da vida cotidiana de uma interpretação do ser humano e do gato extremamente pessoal, evidentemente controlada e de sutil e puro colorido. Aparentemente ingênuo, Gustavo é um requintado.”
Flávio de Aquino, “Gustavo Rosa, toque de crítica, ironia e humor”, revista Fatos e Fotos, 1985.

“Como todo artista, enfrentou fases. Teve a dos bichos, a de naturezas mortas e a dos objetos, para novamente retomar as figuras humanas, só que não mais acadêmicas e geometrizadas como as que representou anteriormente. Os motivos para colocá-las em tela são os de situações as mais variadas do cotidiano. Pode ser na rua, em casa ou mesmo em Nova York. As séries de banhistas que mostra agora nesta exposição, por exemplo, apareceram depois de um inverno passado nesta cidade americana. Gatos também se colocam em profusão. Numa tela de 2x1,20m, por exemplo, um enorme gato listrado tenta assustar um pequeno passarinho. A sequência seguinte então se inverte. Numa tela de mesmo tamanho agora é a vez de um enorme passarinho acuar o pequeno gato colocado no canto.”
Olney Krüse, “Gustavo Rosa. Traços Leves, coloridos e com muito humor”, Jornal da Tarde/ O Estado de São Paulo, 1985.

“Gustavo Rosa adquiriu um admirável nível expressivo. De alguma maneira nos últimos anos ele juntou todas as partes de seu exercício artístico numa única direção e a resultante é a saborosa maturidade deste momento. É curioso utilizar a qualificação de sabor para se referir a uma pintura, mas no caso de Gustavo Rosa é especial. Em primeiro lugar, ele é dotado de um genuíno senso de humor. Ele não faz piadas, não cria personagens grotescos. Ao contrário, a sua simplificação tem origem picassiana. O humor vem da peculiaridade da sua visão, da maneira como observa e aborda o assunto. Gustavo Rosa observa o mundo com uma aceitação resignada na qual ele anota as razões, vaidades, ilusões e desejos do humano. E, depois, como complementação de seu humor, há a fatura do artista, a sua maneira de fazer, o toque do pincel, a colocação das cores. A pintura é táctil e o cromatismo é lírico e recupera alguma coisa da infância. Esta tactibilidade da pintura, a despretensão aparente da cor e da espontaneidade da combinação, aproximam o artista da infância. Mas, percebe-se que ele é um adulto que conserva esta liberdade da infância. Em resumo, trata-se de poesia (...) O artista se deu conta da sua necessidade de um assunto, da sua facilidade descritiva e de que a natureza narrativa de seu trabalho o afastava da abstração e o aproximava do mural e de um tipo particular de obra. Uma espécie de iluminação mágica. Todos os elementos entraram em foco. Como uma boa parte da arte feita até hoje no mundo, em todas as épocas, Gustavo Rosa está trabalhando a partir de uma proposta definida. Como uma encomenda. A sua pintura deve ser provocada, e a sua criatividade, o seu processo lírico, deve ser estimulado por um dado concreto da realidade. Gustavo Rosa tem realizado o seu trabalho, em boa parte, a partir de uma provocação. Às vezes esta provocação é a realização de um mural ligado ao comércio ou a um tema qualquer, ligado a atividades empresariais. Outras vezes, como no caso de sua série das prostitutas, é a ternura e o humor da observação da vida noturna e boêmia. É uma exposição que tem sabor, a emoção do gosto, a sensualidade da percepção, a discriminação do paladar. E foge inteiramente à média depressiva das manifestações culturais do momento, pois é uma série de imagens nas quais está presente o velho e o bom prazer de estar vivo.”
Jacob Klintowitz, “Gustavo Rosa, pincelando poesia na tela”, Jornal da Tarde/ O Estado de São Paulo, 1988.

“Gustavo Rosa foi o primeiro artista brasileiro a usar abertamente os nomes, marcas e logotipos em suas obras, experiência comparada à do artista americano Andy Warhol que apresentam pessoas famosas e produtos de sucesso para retratar o cotidiano. Gustavo Rosa diz que a presença destes elementos em seus trabalhos não tem qualquer relação com merchandising.”
Folha da Tarde, “Gustavo Rosa”, em 1989.

“O único artista plástico brasileiro a ser convidado pela Russel-Newman Inc., para assinar grife exclusiva para o mercado americano. Seus desenhos estarão em roupas, louças, pôsteres e cartões. O lançamento será simultaneamente na Bloomingdale’s e Sack’s Fifth Avenue, com catálogo bilíngue sobre a obra do artista.”
Cesar Giobbi, O Estado de São Paulo, em 1990.

“Gustavo Rosa, que representou o nono artigo da declaração, disse que o universo é redondo – quem inventou o quadrado foi o homem. ‘Nós inventamos os muros, as fronteiras, as prisões’, acrescenta. Sua litogravura trabalha com elementos gráficos que mostram um pássaro acorrentado em uma bola de ferro”.
Daniel Piza, no artigo “Imagens lembram direitos humanos”, em Jornal da Tarde/O Estado de São Paulo, 1991, sobre a litografia em comemoração aos 200 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

“Entre os pintores figurativos paulistas da atualidade, Gustavo Rosa se destaca pela sua originalidade, sua pintura lúdica, irônica, por sua crítica alegre, aguda e sutil. Usando uma linguagem simples, onde o traço descritivo guarda em si o frescor do ingênuo desenho infantil, Gustavo Rosa redesenha as formas procurando um vocabulário próprio, individual independente de qualquer modismo ou tendência de mercado. Turistas de São Paulo indo à praia, o carteiro que leva a imensa carta fechada, o jornaleiro distribuindo periódicos, as imagens profusas que habitam ao universo atual de Gustavo Rosa lembram o cartoon, a caricatura, a mágica das histórias em quadrinhos. Ele se espanta com o inexplicável da nossa vida, o ridículo de nossas paixões e costumes, e com um inesgotável e bondoso humor caricatural, cria suas figuras lapidares, completamente esquematizadas e decompostas de sua carga erótica. A emotividade fica por conta do belo e puro colorido, do traço sensível que nos leva ao sorriso, e às vezes à gargalhada sufocada.”
Geraldo Edson de Andrade, 15 pintores contemporâneos brasileiros, Spala Editora, Rio de Janeiro, 1991.

 

“A começar por Miss Raia, uma bem-humorada e obesa versão da bailarina Claudia Raia, todas as telas da exposição de Gustavo Rosa – que abre hoje na Galeria Arte Vital, com o nome ‘Trabalho Independente’ – tem títulos em inglês. Não é esnobismo. Gustavo Rosa não se equivoca quando se trata de uma boa estratégia de marketing. ‘Dei títulos em inglês para facilitar as vendas no mercado norte-americano’. Rosa tem um marchand em Los Angeles e outro na Alemanha.”
Brenda Fukuda, “A estratégia visual de Gustavo Rosa”, O Estado de São Paulo, 1991.

“Acostumado a conquistar títulos, o São Paulo Futebol Clube ganhou um presente inusitado. Depois de namorar a ideia durante um ano e meio, o artista plástico Gustavo Rosa, são-paulino de coração, finalmente terminou o seu projeto para uma nova camisa do time. O resultado é no mínimo curioso. Na primeira opção, as listras vermelhas e pretas começam nas mangas e continuam até o peito, formando a letra ‘vê’. O escudo fica separado num fundo branco. Já o uniforme número dois, destaca o preto, novamente com o escudo isolado junto ao branco.”
Revista Visão, “O Novo uniforme com assinatura”, 1991.

“O artista plástico Gustavo Rosa até que tentou resistir, mas não conseguiu driblar dois convites sedutores: participar de uma mostra de inauguração de mais um espaço informal de exposições e desenhar o novo uniforme do São Paulo Futebol Clube. Afinal, como faz questão de frisar, ‘Os espaços alternativos são cada vez mais importantes. Se há gente que tem medo de entrar em galeria de arte, mais difícil ainda é frequentá-las’. Ele entende que esse tipo de iniciativa faz com que a obra plástica se torne cada vez mais pública, ‘como ela tem que ser mesmo’. Na exposição Gustavo divide o Espaço Namour, em São Paulo, com outros dois artistas: o pintor Luiz Áquila e o escultor Caciporé Torres. Quanto ao uniforme tricolor, ele mantém segredos. Mas garante que será moderno e arrojado, ele só obedece ao chamado instinto para criar. ‘É assim que cresço.’”
Revista Veja São Paulo, no artigo “Formas e espaço”, 1991.

“Coitado do infeliz que resolve ganhar dinheiro, no Brasil, às custas da própria arte. Para o povo intelectualizado (...) é inconcebível que um pintor ou escultor utilize seus dotes para ilustrar qualquer utensílio de consumo popular. Ou seja, usar a arte para preencher qualquer material que não esteja nas prateleiras do Empório Michelângelo é o mesmo que assinar a sentença de morte. Foi por isso que o artista plástico Gustavo Rosa não hesitou em aceitar o convite de uma empresa americana, a Russel-Newman, para criar desenhos exclusivos que estamparão camisetas, toalhas e outros apetrechos a serem comercializados em todo o território americano. ‘O brasileiro ainda não está preparado para aceitar que um artista plástico coloque sua arte num objeto de consumo’, diz Gustavo Rosa. ‘Lá fora ocorre exatamente o contrário: o artista que populariza sua arte é supervalorizado.’ A proposta tentadora partiu do próprio presidente da empresa, Jene Faul, que, após adquirir um óleo sobre tela do pintor, resolveu conhecê-lo pessoalmente. A partir de setembro, as obras de Gustavo Rosa estarão disponíveis nas gôndolas de grandes magazines como Bloomingdale’s, Macy’s e Sak’s e Newman. Caso os consumidores americanos se identifiquem com seu trabalho, poderão ter acesso às telas e gravuras do pintor em diversas galerias americanas.”
Christiane Campos, “A Arte de Rosa invade os EUA”, Jornal da Tarde, 1994.

“As cenas que parecem banais no cenário das grandes metrópoles, com cores vivas e alegres e um toque de ironia são transformadas em arte pelo pintor Gustavo Rosa. Graças a sua criatividade aguçada vem conquistando fãs de todos os cantos do planeta. A gordinha tomando sorvete nos Jardins ou andando de bicicleta no Ibirapuera, ou mesmo um gato estilizado vestindo as cores da bandeira norte-americana e tomando Coca-Cola de canudinho, são umas das grandes atrações que estarão sendo expostas na AmCham. A arte de Gustavo Rosa é multidisciplinar. Ele cria com a mesma desenvoltura esculturas, logotipos e telas pintadas a óleo e acredita que a obra não pode ser algo que permaneça intocável e sim vivida no cotidiano das pessoas.”
São Paulo Journal, “O canudinho de Gustavo Rosa, 1998.

“O trabalho que o artista Gustavo Rosa faz para a Rede Globo segue uma linha diferente – e mais bem-humorada. Ele e seu amigo Luiz Gustavo tiveram a ideia de usar retratos dos personagens de Sai de Baixo no cenário do programa. Rosa desenhou os seis atores, e os quadros já estão no ar. ‘Os roteiristas estão criando cenas que envolvam os quadros, e a plateia gosta de ver uma cara nova a cada semana’, conta o artista (...) Os atores apreciaram a parceria com Gustavo Rosa e já avisaram que quando os quadros saírem de cena, pretendem pendurá-los nas paredes de casa. Até lá, Rosa vai comemorar sua primeira incursão pela televisão. “Tenho certeza de que muitas pessoas que veem meus quadros em Sai de Baixo nunca foram a uma galeria. Estou atingindo um público novo. Arte não deve ser para poucos. Quanto mais gente puder vê-la, melhor.”
Beatriz Vellozo, revista Época, 1999.

“A genialidade (deste artista) está em atingir o essencial, o simples, e com isso ressaltar aspectos da realidade em que vivemos que muitas vezes passam despercebidas à nossa vista. Em outras palavras: Gustavo Rosa, com traços pragmáticos, sem falso romantismo, despe o mundo cotidiano, pondo-o a nu, mostrando as suas faces intrigantes, cômicas, irônicas, cujos quadros são testemunhos do mundo moderno, e por isso capazes de contar histórias, sem maquiagem, do dia a dia. A obra de Rosa (...) é para ser vista e admirada no todo e nos detalhes, a começar pelo cuidado que o artista tem com a textura do espaço pictórico, que se inicia na meticulosa imprimação das telas e termina nos traços absolutamente despojados de todo e qualquer excesso, passando pelo equilíbrio entre as linhas retas e as curvas e principalmente na beleza das cores utilizadas, ricamente combinadas, intuitivamente escolhidas, que se integram em qualidades fantásticas.”
Guido Arturo Palomba, no Suplemento Cultural da Associação Paulista de Medicina, 2001.

“Essa criança é séria quando não pula, indaga quando não entende. E não é entendida pelo adulto porque está além dele. Gustavo Rosa quer mostrar tudo isso de uma forma simples, clara, limpa, retratos com poucos traços que traduzam o momento da seriedade infantil. Por isso, as suas crianças não sorriem. Elas aparecem como um momento da infância, um momento de amadurecimento. Se olhado superficialmente, um retrato de Gustavo Rosa poderá mostrar até um olhar duro e agressivo mais próximo de um adulto que de uma criança e, talvez, sofrido.”
Laura Wie, “A pintura é uma digital do artista”, revista Go Where, 2006.

“A figura não é só a de uma pessoa que ganhou dinheiro na Bolsa, mas de alguém feliz. A execução pictórica é impecável, com a sua composição bem organizada, uso das cores e um desenho econômico e criativo. A pintura é uma referência direta e bem-humorada à Bolsa de Valores, mas não é exceção no conjunto da obra de Gustavo Rosa, na qual o humor é pedra basilar. O artista sempre estrutura a sua pintura a partir da geometria e costuma dar ênfase ao inesperado, ao jogo visual e ao senso de humor, características que o aproximam do universo da comunicação. Muitas vezes, ele utiliza como assunto, o mundo cotidiano comercial e cenas urbanas, onde se destacam a qualidade e a ternura com as figuras humanas.”
Jacob Kintowitz, ao analisar obra de Gustavo Rosa pertencente ao Acervo Bovespa para o livro Arte brasileira dos séculos XIX e XX, editado pela Bovespa.

“Seus personagens capturados com perspicácia em traços essenciais guardam as sutilezas dos modelos que, devolvidos ao mundo em linhas leves e equilibradas, econômicas até, revelam-se sobre um painel cambiante de cores vivas e atmosferas geralmente alegre. O que fica evidente, ao observar-se sua obra mais recente, é que Rosa imprime o próprio estilo nos trabalhos que realiza, característica dos grandes artistas que fazem praticamente o mesmo que tantos outros, porém com inconfundível marca pessoal.”
Paulo Klein. Gustavo Rosa. Editora Décor: São Paulo, 2007.

“Suas mulheres são coloridas, brincalhonas e descontraídas. De outro lado, porém, não se pode deixar de considerar uma possível crítica à realidade contemporânea nas obras desse artista, na medida em que suas mulheres, sempre rechonchudas e, ao mesmo tempo, tão alegres, parecem contradizer a mídia quanto ao ideal do corpo feminino magro e esbelto como requisito para a felicidade.”
Janice de Campos Ferra, na dissertação de mestrado intitulada “Gustavo Rosa e a figura humana feminina: da lavadeira à mulher pera”, defendida na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, 2011.


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